A Vela e a Escuridão

Uma vez me perguntaram porque a vida é tão triste e sofrida para tanta gente. Porque tantas perdas. Não sei bem da onde me inspirei para trazer a seguinte resposta.

Se você perguntar a alguém se tivesse que escolher entre a luz e a escuridão, certamente a luz ganharia. Com raras exceções, por exemplo para dormir, a escuridão tem bem menos apelo e utilidade do que a luz.

A escuridão é passiva. Ela não contagia, não avança por sua iniciativa. A luz, ao contrário é contagiante e pode ativamente progredir. Tome-se o exemplo de uma vela acesa. Com apenas uma única vela pode-se acender muitas outras. De um pequeno fogo que produz luz pode-se seguir acendendo inúmeras outras velas que sucessivamente podem acender muitas outras numa progressão infinita.

Cada pequena vela acesa produzindo uma tênue luz inibe e retrai a mais avassaladora escuridão. Nem a mais potente escuridão é páreo para a nossa pequena vela com sua tímida luz. Infelizmente, porém, é custoso reconhecer que a escuridão não se extingue a si mesma. A luz sim pode apagar-se. A vela pode terminar se não for reposta. A escuridão fica a espreita, torcendo pelo fim da vela e sua maldita luz. À vela, só resta cumprir seu dever até terminar-se.

A vela tem uma missão tática e outra estratégica. A tática é espantar a escuridão. Isso é feito por iniciativa própria. A estratégica é contagiar outras velas a fazerem isso, deixar como legado o seu exemplo, acender nas outras velas a sua luz e o seu propósito ao iluminar. Não basta a uma vela apenas trazer luz. É preciso dar significado a ela, frutificar, mudar por onde passar aos que dela se acercarem.

Ao ser humano parece que o livre arbítrio nos dá a chance de escolhermos o que queremos ser durante nossa existência: escuridão ou velas (infelizmente não somos luz, somos portadores dela…).

Caso escolhamos a escuridão não precisamos fazer nada, Podemos passivamente assistir ao sofrimento e ao caos. Se escolhermos ser velas, teremos muito trabalho pela frente. Por iniciativa própria procuraremos fontes de luz para nos acender – modelos/mestres/inspiradores. Sempre em mente que não somos evangelizadores, somos ofertadores de luz. Enquanto houver luz é isso que faremos até nosso último brilho que se perpetuará no brilho dos que nos sucederem, infinitamente.

O que isso tem mesmo que ver com a pergunta inicialmente feita? Não sei, faz sentido para você?

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