O Certo e o Errado

Havia dois vizinhos, o Certo e o Errado. Apesar de viverem próximos, se detestavam. As vezes até se hostilizavam. O Certo tinha dúvidas sobre o que era certo. O Errado era cheio de certezas do que era errado. O Certo achava errado ter opiniões definitivas sobre qualquer coisa enquanto o Errado achava certo manter convicções sob pena de nos deixar à deriva.

Para o Errado era certo ganhar dinheiro de qualquer maneira. Para o Certo, ganhar dinheiro deveria ser consequência de mérito, criação de valor. Para o Errado, era certo que quem tem mais deve contribuir com quem tem menos. O Certo achava cada um deve conseguir o que cada um produzir. O Certo acreditava que era errado matar em nome de Deus. O Errado acreditava que era certo matar os que fossem errados, segundo Deus, o seu Deus.

O Errado achava que só tem dois tipos de pessoas que podem ser felizes casadas, homens e mulheres e que as crianças devem obedecer seus pais e as autoridades e que as Leis devem ser cumpridas sem discussão. O Certo tinha sérias dúvidas se era possível reger e definir papéis desta forma e se deveríamos obedecer cegamente quaisquer regras e se não seria melhor dar mais liberdade de pensar e agir, com responsabilidade é claro, para nossas crianças para que se tornem melhores do que nós.

O Errado achava que um país só seria próspero quando a maioria de fato exercesse o poder e ditasse o que deveria ser feito, mesmo que alguém não concordasse. O Certo achava que talvez devêssemos consultar as minorias e tentar acertar condições que possam aproximar pontos de vista diferentes.

O Certo achava errado desperdiçar alimentos, matar animais para alimentação, causar sofrimentos de qualquer forma para qualquer espécie do planeta, desmatar, agredir a natureza, usar combustíveis não renováveis, viver egoisticamente.

O Errado achava certo aumentar a produção, o desenvolvimento, a indústria, o avanço e a utilização dos recursos naturais, a criação de obras, empregos, produtos e o consumo crescente visando o maior conforto e bem estar das pessoas.

O Certo achava que algo de muito errado estava acontecendo com a humanidade. O Errado achava que o Certo estava ficando paranoico e alucinava catástrofes, provavelmente para “vender” soluções…

E essa história seguiria ainda mais adiante até que o Certo começou a ter certeza do que era errado e o Errado começou a ter dúvidas do que era certo. Foi quando o Errado ficou certo de que haveria espaço para dúvidas e o Certo ficou convicto que as dúvidas eram certas que…

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