O que aprendi sobre resolver o problema dos outros – Por Jonatas Crizel

As pessoas, na suas vidas, possuem os mais diversos tipos de problemas ou dificuldades. Uma boa parte pode ser simples e fácil de resolver e acaba passando despercebido ou no máximo como um pequeno incômodo. Alguns são desafiadores e exigem esforço e flexibilidade para solucionar e, como recompensa, dão crescimento e aprendizado. E um pequeno grupo desses problemas parece insolúvel, persegue e tortura as pessoas.

Contudo, nem só de vilões vive nossa história, também contamos com parceiros na nossa jornada pela vida. Aliados que deixam a vida mais leve, nos “emprestam” seus poderes e colaboram conosco. Assim como fazemos por eles frequentemente. A satisfação e paz que deriva de ajudar alguém é a recompensa biológica para aquela ação.

Como diz o velho ditado “não se pode fazer um bolo sem quebrar os ovos”, e o preço do amadurecimento e da aprendizagem é o esforço envolvido. Dessa forma, alguns de nós terminamos, na melhor das intenções de ajudar e ser útil, por tentar ajudar alguém que não solicitou ajuda.

A PNL nos ensina que o que move as pessoas são seus desejos. Tendo isso em mente fica mais fácil entender que cada pessoa é diferente da outra, pois possui desejos diferentes, motivações diferentes e maneiras diferentes de encarar a realidade.

Algumas pessoas parecem apegadas aos seus problemas, quase como se fosse parte de si. E nós que observamos externamente, muitas vezes com a solução já desenvolvida, ficamos estupefatos sem saber como que aquela pessoa não se livra daquilo que parece ser tão pequeno e incomodativo. Mas não temos idéia do tipo de relação que existe com o problema.

Eventualmente um dilema traz consigo uma recompensa que não percebemos ou o medo de causar algum mal a alguém querido. Um filho que desiste de um intercâmbio porque não quer “abandonar” os pais, alguém que não consegue se organizar financeiramente porque cresceu ouvindo que “é mais fácil um camelo passar pelo buraco da agulha do que um rico entrar no reino dos céus” e nunca questionou o significado disso ou aquele que aprendeu desde criança que ficar doente/machucar-se é sinônimo de atenção.

Acompanho os cursos de formação em PNL na Dolphin Tech e frequentemente recebo o relato de alunos desabafando sua insatisfação com uma tentativa de ajuda não-solicitada na vida de outra pessoa. Ou mesmo eu, enquanto presto consultoria individual, já recebi clientes que foram enviados por familiares e nem sabem exatamente o que vieram fazer e não tem interesse em produzir uma mudança como foram instruídos.

Essa situações, em geral, geram desapontamento nos praticantes que têm a intenção genuína de ajudar ou em quem enviou seu amigo ou parente para tentar mudar um comportamento considerado inadequado.

Sêneca foi um dos mais célebres intelectuais do Império Romano e nos presenteou com uma frase bastante marcante: é parte da cura o desejo de ser curado. É comum no decorrer da formação em PNL o praticante querer resolver todo problema que apareça e, eventualmente, não respeitar essa preciosa lição que Sêneca nos deixou.

Jonatas Crizel

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